6 de outubro de 2017

Moscon empurrou Reichenbach? Suíço fez queixa na polícia e na UCI

(Fotografia: Twitter Sébastian Reichenbach)
Ainda há pouco tempo aqui se escreveu sobre esta tendência de Gianni Moscon envolver-se em polémicas, num ano que foi claramente de confirmação na Sky e no pelotão internacional a nível desportivo, mas também de problemas que em nada estão a ajudar à sua reputação. O mais recente já envolve polícia e se fazer comentários racistas foi algo extremamente grave, ter alegadamente provocado uma queda de um colega de profissão poderá ser algo difícil de apenas se resolver com umas semanas de suspensão.

Explicando a situação. Tudo aconteceu na corrida italiana Tre Valli Varesine, na terça-feira. Sébastien Reichenbach (FDJ) sofreu uma queda grave, lesionou-se no cotovelo e terá de ser operado. A recuperação poderá durar entre três a quatro meses. Porém, o ciclista suíço alega que não foi apenas mais uma queda no pelotão. Reichenbach acusa Moscon de o ter empurrado. O italiano negou a versão, mas o suíço confirmou que fez uma queixa na polícia e na UCI.

"Foi intencional. Vários ciclistas viram o que aconteceu e estão preparados para testemunhar. Ele atirou-se deliberadamente contra mim. Na descida, o acidente poderia ter tido consequências mais sérias. A minha equipa, FDJ, encorajou-me a apresentar queixa e vão apoiar-me", afirmou Reichenbach (28 anos) ao site suíço Le Nouvelliste.

Moscon competiu depois na Milano-Torino e este sábado estará na Lombardia, último monumento do ano. O italiano de 23 anos irá correr com uma atenção muito indesejada. Moscon contou a sua versão à Gazzetta dello Sport, antes da queixa feita pelo ciclista suíço: "Não é verdade. Não tem nada a ver comigo. Estava numa secção difícil da estrada e as mãos de Reichenbach escorregaram do guiador." Ao Tuttobiciweb, o italiano disse estar "sereno" e garantiu que irá defender-se das acusações.

Este episódio tem uma razão de ser, segundo o corredor da FDJ. É preciso recuar ao final de Abril e à Volta à Romandia. No final da terceira etapa, Moscon e Kevin Reza, da FDJ, envolvem-se numa discussão e o italiano profere comentários racistas. O caso é denunciado nas redes sociais por Reichenbach. A Sky optou por deixar o seu ciclista terminar a corrida e só depois o sancionou com seis semanas de suspensão e obrigou-o a frequentar um curso de consciencialização. Ameaçou-o também de despedimento caso repetisse o comportamento. Ponto final, apesar da UCI ter dito que iria investigar. Houve um pedido de desculpa e Kevin Reza escolheu seguir em frente, não alimentando mais o assunto.

Reichenbach considera que o alegado empurrão de Moscon na Tre Valli Varesine foi uma vingança perante a sua denúncia e que levou ao castigo interno. "É uma questão de 'pagar' o twit durante a Volta à Romandia. Foi o que levou à suspensão", disse o suíço, que realçou não ter dito o nome do italiano na altura.

Quem não está a gostar nada de toda esta situação é Marc Madiot. O director da FDJ salientou que irá esperar pela conclusão da investigação policial, mas se as alegações de Reichenbach forem confirmadas, o responsável pondera pedir uma indemnização. "Isto não é uma piada. Conheço o Reichenbach e ele não é o tipo de pessoa que diz mentiras", afirmou. Tal como Madiot, também a UCI irá estar atenta à investigação policial.

Moscon é um talentoso ciclista que este ano confirmou-se como um dos importantes homens de trabalho para Chris Froome na estreia em corridas de três semanas - na Vuelta -, além de se mostrar nas clássicas. Porém, esteve envolvido num caso de racismo e nos Mundiais acabou desqualificado por ter recebido uma "boleia" do carro de apoio depois de ter caído e perdido contacto com o grupo da frente.


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